Nova exposição chega ao Museu Casa Alphonsus de Guimaraens
(12/06/2018)
O Museu Casa Alphonsus de Guimaraens inaugura no próximo dia 16 de junho, às 15 horas, sua nova exposição de longa duração, intitulada Alphonsus de Guimaraens, o poeta do luar. O Museu é dedicado ao grande poeta simbolista e está vinculado à Superintendência de Museus e Artes Visuais da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais. Estabelecido no centro da cidade de Mariana, teve sua sede inteiramente restaurada e entregue à visitação, em junho de 2016.
A mostra conta com os módulos: A Visita, A Poesia, Biblioteca, Ismália, A Escrita e A Família. Neles são apresentados poemas e textos do grande poeta, intercalados com uma série de depoimentos de grandes escritores, críticos e intelectuais acerca da sua produção literária. O acervo exposto é composto por cartas, manuscritos, fotos, objetos pessoais e retratos que foram doadas pela família do poeta por ocasião da implantação do museu em 1987. No mobiliário destacam-se um belo canapé, um delicado conjunto de sofá e cadeiras de madeira torneada e um singelo relógio de parede, recentemente doado pela família Guimaraens. O visitante também irá se deparar com a rica biblioteca e com as instigantes correspondências de Alphonsus, além do canto inigualável de Milton Nascimento interpretando Ismália, no espaço de mesma designação.
A exposição tem curadoria de Ana Cláudia Rôla Santos, que também é Coordenadora do Museu, e consultoria de Afonso Henriques de Guimaraens Neto, Cêça Guimaraens e Lucas Guimaraens, membros da família do poeta. O design da exposição e das peças gráficas é de Flávio Vignoli e o mobiliário expositivo foi projetado pela arquiteta Cláudia Lins.
Além da exibição do acervo da instituição, foram adquiridas duas obras com paisagens de Mariana para composição do ambiente A Poesia, sendo um desenho a grafite de José Octavio Cavalcanti, de 2006, e um óleo de Nazareno Altavilla, da década de 1940. Foram produzidas, pelo artista plástico Roberto Marques, cinco ilustrações originais em colagem, inspiradas em cada estrofe do poema Ismália, talvez o mais conhecido de autoria do poeta mineiro. Ele também produziu imagens para o material educativo desenvolvido especialmente para a ocasião, uma coletânea com o título: É que os anjos mamam na lua - Alphonsus para crianças.
Para Andréa Matos, Superintendente de Museus e Artes Visuais, a exposição certamente irá colaborar para a real aproximação do público com a singular e sensível poesia de Alphonsus de Guimaraens. Conhecendo a simplicidade de seu lar, sua numerosa descendência, seus preciosos objetos, o visitante estará em conexão direta com aquele que foi considerado e reconhecido por muitos como poeta maior da língua brasileira. Como disse Oswald de Andrade, em 1921, ele “valia sem dúvida todos os poetas juntos da Academia Brasileira. Faleceu em Mariana, pobremente, onde vivia fazendo há vinte anos os melhores versos do seu país. Hoje (...) a figura de Alphonsus de Guimaraens assume a sua inteira grandeza no movimento da boa arte nacional”.
O Museu foi dotado de um espaço para exposições temporárias e para a inauguração o público poderá conhecer um pouco mais sobre o ambiente simbolista, por meio da mostra paralela Vestir a ideia com uma forma sensível: Poesia e artes plásticas simbolistas. A curadoria é do historiador Leonardo Magalhães Gomes, que trouxe como ponto de partida o Manifesto Simbolista, publicado por Jean Moréas, em 1886, no jornal parisiense Figaro. Nele o poeta francês afirma: “a poesia simbolista procura: vestir a ideia com uma forma sensível que, no entanto, não seria o fim em si mesma, mas que, dedicada a exprimir a Ideia, a ela permanecia sujeita. A ideia, por sua vez, não deve se deixar privar das suntuosas vestes das analogias exteriores; pois o caráter essencial da arte simbólica consiste em nunca ir até à concepção da Ideia em si”.
O museu recebeu ainda um pequeno espaço audiovisual e outro de ação educativa, equipados para receber o público espontâneo ou agendado.
Para o Secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, a poesia está de portas abertas com a inauguração da exposição: “A casa de Alphonsus é morada da poesia. Soam os responsos da Sé e a algazarra dos 14 filhos, na serena manhã de Mariana. Mário de Andrade vem de São Paulo, no trem da História, e bate à porta, como um rei mago atraído pela estrela. E com ele entramos para admirar o Poeta da lua, do amor e da morte. Venham todos. Alphonsus está à espera”.
A exposição de longa duração Alphonsus de Guimaraens, poeta do luar foi realizada no âmbito de projeto aprovado na Lei Estadual de Incentivo à Cultura e viabilizado pelo patrocínio da CEMIG. Proposto e gerido pela Associação de Amigos do Museu Mineiro, possibilitou o desenvolvimento da concepção da exposição e de mostra temporária, a aquisição de equipamentos e de peças de acervo, a produção de mobiliário expositivo e para ação educativa, a higienização e restauração das peças expostas, além da edição de catálogo, folheto e livro infantojuvenil.
