É preciso seguir em frente

(31/10/2016)
00:00

O mundo pôs os olhos em Mariana.  Nossa cidade sempre foi vista no cenário internacional com um celeiro de riquezas minerais. Daqui saiu o ouro que financiou a construção de obras e arte e enriqueceu a Europa. Daqui saiu o minério de ferro que impulsionou a indústria na China.  E de repente o mundo pôs os olhos em Mariana para assistir assustado o desatino de uma tragédia.  Vidas forma perdidas, meio ambiente destruído, povoados devastados...

Não. Não é desse jeito que queremos mostrar Mariana ao mundo. Queremos mostrar uma Mariana feliz, que educa bem suas crianças, que tem oferecido oportunidade aos jovens, que investe no desenvolvimento rural, que cuida bem da saúde, que respeita o idoso... Essa é a Mariana que queremos, a Mariana que estamos fazendo para nós e para nossos filhos. Em meio à desolação do trágico acontecimento, é preciso destacar e agradecer a ação de cada um das centenas e milhares de brasileiros que, solidária ao sofrimento da nossa gente, dedicaram (e ainda dedicam) o seu tempo, a sua oração e o seu trabalho de forma voluntária aos atingidos.

Solidariedade desde as primeiras horas

Os moradores de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e comunidades atingidas pelo lamaçal da barragem de rejeitos da Samarco seguiram em frente. Em meio a essa tragédia, é preciso destacar e agradecer a ação voluntariosa de cada um das centenas de milhares de brasileiros que, solidários ao sofrimento da nossa gente, dedicaram o seu tempo, a sua oração e o seu trabalho de forma voluntária aos atingidos. Sem o apoio de cada um, tudo seria certamente mais difícil. Desde as primeiras horas do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, no dia 5 de novembro, a Prefeitura de Mariana vem atuando na linha de frente na assistência imediata às famílias vítimas dessa onda de lama que devastou os subdistritos de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, afetando outras comunidades, e marcando para sempre a vida de milhares de pessoas. É um momento difícil para todos, em que precisamos dar as mãos para ajudar a nossa gente a reescrever uma nova página da história. E desde as primeiras horas, toda equipe Prefeitura de Mariana esteve presente na linha de frente, ao lado das comunidades, e continua prestando toda assistência às famílias.

Acompanhamento e acolhimento às famílias

O trabalho de acolhimento às famílias atingidas coube aos 90 servidores que atuam na Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania. Eles também se envolveram diretamente com o recebimento, organização e distribuição dos milhares e donativos, além de acompanhamento psicológico as famílias atingidas. Foram cerca de 950 atingidos, sendo que 556 perderam suas casas e outras desalojadas foram abrigadas em casas de parentes. Em Bento Rodrigues, por exemplo, 80% das 250 edificações foram destruídas, e outras 207 estão na área atingidas pelo lamaçal. A equipe de assistência social continua acompanhando a alocação dessas famílias em residências alugadas pela mineradora. As equipes também agilizaram a liberação de transporte, acolhimento humanitários, além de providenciar os contatos necessários para confecção de documentos de responsabilidade da secretaria.

Todos juntos no transporte de vítimas

A Secretaria de Transporte também disponibilizou os 30 funcionários para ajudar nos serviços de transporte das vítimas, busca de donativos em outras cidades, remoção da lama em alguns pontos das regiões atingidas, além do descarregamento das doações.

Mais de 380 toneladas de donativos

Mariana recebeu um caminhão de solidariedade. A solidariedade do povo brasileiro pode ser mensurada nas doações e no número de voluntários também é igualmente surpreendente. Estima-se que 3.745 pessoas compareceram na Arena Mariana e no Centro de Convenções para receber doações, descarregar caminhões, fazer triagem de roupas, montarem kits de higiene, roupas de cama, cestas básicas, dentre outros. Desde as primeiras horas da noite de 5 de novembro, milhares de voluntários doaram objetos, alimentos, água e força de trabalho para diminuir a dor das famílias atingidas. Foram 200 toneladas de roupas, 180 toneladas de alimentos e 300 mil litros de água que chegaram à Mariana. Foram muitos os caminhões, carros, motos e braços que trouxeram donativos para as vítimas dessa tragédia.

Transparência com as doações às famílias

Para dar mais transparência ao dinheiro destinado às famílias atingidas pela barragem de minério, foi criado o Conselho Municipal de Gestão de Recursos Financeiros. Os recursos financeiros de que trata esta Lei são aqueles arrecadados e depositados nas contas bancárias Banco do Brasil, Caixa Econômica e Banco Bradesco, criadas exclusivamente para depósito as vítimas da tragédia. O conselho teve como objeto a gestão, controle e aplicação dos recursos provenientes das doações às vítimas do sinistro ocorrido em nossa cidade. A criação deste órgão teve também como objetivo dar total transparência à aplicação correta e justa dos recursos financeiros arrecadados.

Agentes mobilizados para salvar vidas

120 agentes da Secretaria Municipal de Defesa Social atuaram na operação de socorro as vítimas, entre eles a equipe da Defesa Civil Municipal, que atuou no gerenciamento do desastre, identificação e mapeamento das áreas de risco, vistorias nas edificações atingidas, além de atuar preventivamente na evacuação da população das edificações vulneráveis. Os agentes da Guarda Municipal e do Departamento de Trânsito reforçaram esse trabalho apoiando às demais forças de segurança nas áreas do desastre, nas entregas de suprimentos nos locais de difícil acesso, oferecendo segurança aos abrigos provisórios e nos locais de armazenamento dos donativos.

Cuidando da saúde da nossa gente

Uma força-tarefa da Secretaria Municipal de Saúde atuou desde as primeiras horas no atendimento as comunidades atingidas. Cerca de 350 funcionários, dentre médicos, enfermeiros e auxiliares, nos serviços de atendimento clínico, como aferição de pressão, prescrição de medicamentos, acompanhamento médico, primeiros socorros, dentre outros. Além disso, destacamos e agradecemos a solidariedade de profissionais voluntários de todo o Brasil que se mobilizaram para prestar ajuda humanitária às famílias, seja no atendimento de socorro imediato ao atendimento psicológico.

Mutirão para socorrer os animais

Não são apenas as vítimas humanas que sofrem com o rompimento de barragens de rejeitos da mineração. Os animais também foram atingidos e socorridos por voluntários e profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Mariana. Coordenados pelo Departamento de Zoonoses, ONGs, associações e voluntários envolvidos no resgate prestaram assistência aos animais e seguem monitorando-os mesmo após o salvamento.

Retorno às atividades escolares

Cerca de 80 profissionais da Secretaria de Educação se envolveram diretamente nos trabalhos de apoio às vítimas, desde socorro ao acompanhamento escolar, além de atuação também na separação de donativos e direcionamento dos alunos às escolas. Uma das primeiras ações foi se mobilizar para garantir o retorno às aulas para as 178 crianças e adolescentes das comunidades de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, atingidas pela lama do rompimento da barragem. Elas foram levadas para a Escola Municipal “Dom Luciano Mendes”, no Bairro Alto do Rosário, em Mariana, onde permanecem até hoje.