Mariana vai às ruas em prol da Samarco

(15/03/2016)
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João Felipe Lolli

Com o objetivo de pressionar os órgãos competentes pela volta das operações da empresa Samarco, cerca de mil pessoas se reuniram na manhã de sábado (12) e sairam em passeata pelas ruas históricas de Mariana. Com gritos como “Justiça sim, Desemprego não!”, “Não existe desenvolvimento sem emprego!” e “Queremos Trabalhar!”, os manifestantes pediram pelo retorno das atividades da mineradora.

“Perdi meu emprego, meu irmão também está desempregado. A tragédia de novembro foi terrível, a empresa tem que pagar por isso. Mas sem empregos quem sai perdendo somos nós”, avalia Eliana da Silva.

O ato foi realizado para pressionar a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) a acelerar a análise do pedido de licença para que a empresa possa se preparar para voltar a produzir. “É preciso entender que a mineração é viável, sim, mas com respeito ao meio ambiente e, principalmente, à vida das pessoas”, salienta o prefeito de Mariana, Duarte Júnior “Du”.

Outro problema decorrente da paralisação de atividades da Samarco é a queda na arrecadação municipal. Em março, a Prefeitura de Mariana deixa de arrecadar cerca de R$ 5 milhões com impostos como CFEM, ISSQN e ICMS. “Nós temos hoje 120 médicos, que custam cerca de R$ 2,4 milhões por mês. Nós servimos 19 mil refeições por mês nas escolas municipais, temos a Escola Integral, que nos custa mais de meio milhão de reais por mês. Estes são alguns serviços que consideramos essenciais e que ficam sob ameaça com essa queda na arrecadação”, explica o prefeito.

Duarte também destacou as perdas no comércio. “Vários comerciantes colocaram faixas e apoiaram a passeata, demonstrando seu sentimento de apreensão neste momento”, disse. Desde a paralisação da empresa o comércio marianense estima uma perda entre 40% e 60% das vendas.

Diversas pessoas que participaram do ato defenderam a responsabilização da Samarco pelos danos causados com o rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro, mas também pediram que a mineradora retorne as suas atividades, gerando renda para o município e empregos para a população. A passeata começou por volta das 9h na Arena Mariana e terminou ao meio dia, com concentração na Praça da Sé.

Ato público tem apoio de entidades e políticos

Entidades civis, de classe e diversas autoridades participaram do ato pró-Samarco, no sábado (12). A passeata teve o apoio de diversos sindicatos e entidades. Estiveram em Mariana o deputado federal Domingos Sávio; os deputados estaduais Antônio Jorge, João Leite e Thiago Cota. Os prefeitos José Calixto Milagres “Zelinho”, de Acaiaca, o presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) e prefeito de Congonhas, Zelinho; prefeito de Urucânia, Fred Brum, prefeito de Itabiria, Damon Lázaro de Sena e prefeito Gilmar de Paula Lima, de Santa Cruz Escalvado. Também estiveram presentes Tenente Freitas, presidente da Câmara de Vereadores de Mariana, além de diversos integrantes do legislativo municipal.

Outra manifestação - Na segunda-feira (07) o grupo “Justiça sim, Desemprego não” ocupou a Praça JK, em frente à Prefeitura de Mariana. Uma comissão foi recebida pelo prefeito Duarte Júnior “Du”, que reafirmou o seu apoio à causa do grupo, formado por empresários e comerciantes que reivindicava o retorno da Samarco às atividades. Há cerca de três meses, outra passeata trouxe às ruas de Mariana o receio de queda na economia com a paralisação da Samarco. Este movimento reuniu diversas pessoas em 21 de novembro, levando ao prefeito um pedido de diversificação da economia e de manutenção da atividade minerária.

Prefeito esclarece equívoco corrigido: “Não tenho compromisso com o erro”

O prefeito Duarte Júnior “Du” explicou às autoridades, imprensa e cidadãos que não houve convocação para que funcionários e alunos da rede municipal de ensino participassem da passeata. “Entendemos, sim, que a passeata é importante para toda cidade, mas não podemos convocar as pessoas a participar. Houve, num primeiro momento, um equívoco, que depois foi corrigido. Como dizia Juscelino Kubistchek, não tenho compromisso com o erro”, finalizou o prefeito.

Ele esclareceu a todos que o sábado (12) não foi dia letivo em Mariana, não havendo convocação e sim um convite a participação de todos. Por meio de nota,  divulgada na segunda-feira (11) pela manhã, a Secretaria Municipal de Educação diz que “respeita o direito ao livre pensamento” dos servidores e que “nenhum deles sofrerá qualquer sanção, em nenhuma hipótese, em razão da sua livre escolha”.

Ainda segundo a nota, a proposta inicial de compensação de um dia letivo com a participação na manifestação teve como horizonte incentivar a todos na participação e, assim, “demonstrar a importância do retorno das atividades da empresa uma vez que os impostos recolhidos por ela custeiam nossas creches, todas as nossas escolas de tempo integral, além de outros serviços essenciais prestados pelo município”.

Abaixo assinado - Durante toda passeata foram recolhidas assinaturas com uma petição para que a Semad dê prioridade à análise de pedido de licença ambiental para que a empresa Samarco tenha autorização para se reorganizar e voltar a produzir.