Reunião discute alternativas sobre bacias hidrográficas
(09/12/2015)
João Felipe Lolli
A cidade de Ponte Nova recebeu na quinta-feira (04) mais uma reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piranga (CBH-Piranga), que tem como objetivo a promoção de programas e políticas voltados à preservação, recuperação e desenvolvimento sustentável da bacia. Durante todo o dia, representantes das cidades que compõe a bacia hidrográfica do Piranga discutiram medidas e iniciativas para mitigar os efeitos do rompimento da barragem de Fundão, da empresa Samarco. “Pedi que fossem tomadas medidas de contenção dos rejeitos que se encontram no município de Mariana, e propus também que a Câmara Técnica de Planejamento e Projetos faça uma carta de recomendação ao Ministério Público sobre a aplicação dos recursos”, esclareceu Rogéria Trindade, coordenadora de Programas Ambientais da Prefeitura de Mariana e segunda secretária do CBH-Piranga. Convidados a participar do encontro, dois professores trouxeram suas idéias e contribuições.
O primeiro a falar foi o professor Jorge Dergan, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Federal de Viçosa. “Talvez este tenha sido o fenômeno mais grave de morte de peixes no mundo”, iniciou o professor. Em pouco mais de 40 minutos, Derganfalou a respeito da fauna e da flora que compõe o Rio Piranga e seus afluentes, destacando o efeito nocivo da lama para as espécies. “Cascudo, acará, timburé são algumas espécies de peixes que se alimentam do substrato do rio. E tanto o substrato (flora) quanto os animais (fauna) estão ameaçados”.
O professor lembrou, por fim, que o Rio Piranga é a “cabeça” do Rio Doce, e como uma grande parte do Piranga não foi afetada pela lama, é de extrema importância investir em ações de preservação nessa área, para garantir a sobrevivência de espécies que podem, nos próximos anos, repovoar as áreas atingidas no Rio Doce. “O surubim-do-doce é uma espécie exclusiva deste rio, desta bacia. Precisamos trabalhar na preservação desta área do Piranga que não foi atingida pela lama, caso contrário a espécie corre o risco de ser extinta”, finalizou.
Na sequência, o professor Ricardo Fiorotti apresentou um projeto de reaproveitamento do rejeito da mineração. Há mais de cinco anos Fiorotti desenvolve, no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Ouro Preto, experimentos que reaproveitam a lama e os rejeitos de minério na construção civil, em especial na fabricação de tijolos, bloquetes e similares. Nas amostras apresentadas, o professor destaca que a única diferença entre o tijolo disponível no mercado e o feito com reaproveitamento de rejeito está na cor. “Este tom mais amarronzado é próprio do rejeito do minério. No mais, não há diferença alguma”, destaca.
De acordo com o professor, quatro casas-modelo foram construídas no campus da UFOP com tijolos feitos com material reaproveitado de usinas siderúrgicas, mas o princípio pode também ser aplicado nos rejeitos da mineração. “Esta tecnologia, que foi patenteada em 2013, é a única que tenho conhecimento que é capaz de aproveitar o rejeito até mesmo depois que ele é depositado numa barragem”, enfatiza Fiorotti.
Segundo o professor, o custo para implantação da planta industrial capaz de realizar este reaproveitamento é de aproximadamente R$12 milhões. Ricardo Fiorotti esteve na reunião à convite de Rogéria Trindade, coordenadora de Programas Ambientais da Prefeitura de Mariana. “A vinda do professor aqui hoje é importante para entender como é feita a atividade minerária na bacia do Rio Piranga”, destaca Rogéria.
