Solidariedade toma conta de Mariana
(12/11/2015)
Jaqueline Santiago
A solidariedade tem permitido o atendimento às vítimas do rompimento das barragens de Santarém e Fundão do município de Mariana e de cidades vizinhas. A ajuda chega de todo o país, por meio de prefeituras, associações, entidades e também voluntários que se sensibilizaram e estão arrecadando diversos donativos. As doações são encaminhadas para a Arena Mariana e para o Centro de Convenções, onde servidores da prefeitura e voluntários fazem a separação por sessões masculina, feminina, infantil, higiene pessoal, alimentação e outras.
Nestes locais, as vítimas da tragédia se apresentam com a ficha de cadastro, e são acompanhados para selecionar todos os itens que necessitam. De acordo com a assistente social da Prefeitura de Mariana, Rita Mendes, as vítimas percorrem as sessões e escolhem os itens de sua preferência, onde não é imposta nenhuma limitação de quantia. “A partir do momento que as vítimas escolhem, elas estão exercendo a sua identidade e desenvolvendo o livre arbítrio. O objetivo é que as pessoas se sintam acolhidas”, disse.
Ana Paula Carneiro da Silva, 27 anos, moradora de Paracatu de Baixo, foi retirada de sua casa, às pressas na sexta-feira (06) pela manhã, juntamente com o marido e dois filhos. Ana, que já havia levado roupas, cobertores e produtos de higiene, volta à Arena Mariana para escolher novos itens de sua necessidade. A moradora confirma o atendimento que tem sido feito às vítimas. “O povo está atendendo a gente bem. Não tenho nada a reclamar. A gente está podendo escolher do jeito que a gente quer, do jeito que a gente usa, do jeito que a gente gosta”, contou.
Veja o vídeo com o depoimento da Ana Paula.
Maria das Graças do Nascimento, 66 anos, moradora de Barra Longa é outra vítima desta tragédia que chega à Arena Mariana em busca de apoio. “Minha casa foi embora com tudo dentro, minhas criações, umas sessenta e tantas galinhas, cachorro, gato, porco, mantimentos... Foi tudo embora por água abaixo. Não sobrou nada!” relata. É o segundo atendimento à Maria das Graças, que foi orientada a voltar, caso percebesse a necessidade de novos itens. A moradora foi cadastrada pelo Desenvolvimento Social e Cidadania e recebeu ajuda com a doação de vestuário, mantimentos e até um fogão. Foi necessária uma caminhonete para levar todos os itens que Maria das Graças precisava para ela e outras e outras seis pessoas de sua família que ficaram desabrigadas.
Veja o vídeo com depoimento da Maria das Graças.
Cadastro das vítimas
O cadastro das vítimas está sendo feito pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania. Este trabalho teve início ainda na quinta-feira (05), por meio de uma força tarefa montada na Arena Mariana para recepcionar os moradores resgatados das áreas atingidas. Ali, as vítimas receberam as primeiras orientações, atendimento médico, higienização com recebimento de roupas, acolhimento e foram encaminhadas para hotéis custeados pela empresa responsável pela operação da barragem.
Primeiramente, foi efetuado um cadastro simples, agora, a Secretaria se ocupa de realizar um cadastro mais abrangente, que engloba as perdas e danos às vítimas. O cadastro é feito tanto para as pessoas que foram direcionadas para hotéis, quanto para as vítimas que estão abrigadas em casas de familiares. Desta forma, a Secretaria pede que todas as vítimas que foram direcionadas para as casas de familiares, procurem a central de cadastramento para fornecerem estas informações.
Além disso, tem sido feito um cadastro básico para as vítimas do município de Barra Longa, que estão abrigados em casas de parentes em Mariana e também, para vítimas do município vizinho que vêem em busca de assistência. Por meio deste cadastro, as doações também estão garantindo a assistência destes moradores. No entanto, para fins de indenização, a Secretaria orienta que as estas vítimas façam o seu cadastro sua cidade de origem.
