Poeta do movimento aldravista expõe na Prefeitura Mariana
(27/10/2015)
Tamara Martins
À primeira vista, pontos, gotas, borrões. Aos poucos, o olhar mais demorado vai descobrindo sentidos construídos por tramas de traços coloridos. A coleção Aldravinturas – muita cor, nenhum limite!,da artista plástica aldravista Deia Leal, convida o público ao diálogo e à livre interpretação. As obras que estiveram no Espaço Cultural STJ, em Brasília, agora podem ser conferidas no hall da Prefeitura de Mariana até o dia 1º de novembro. Os quadros, em tinta acrílica e nanquim, são explosões de cores apoiadas em suportes diversos, como tela de algodão, papel cartão e eucatex.
As coloridas obras, parte de três coleções, são realizadas em pintura, peças de roupa e papel cartão, em comemoração aos 15 anos da Arte Aldravista. As telas, compostas por traços de gotejamento em meio a objetos pessoais representativos da historia de vida dos personagens. Entre as obras de intervenção em peças de roupas estão dois grandes marianenses, o alfaiate, Benjamim Carvalho e o seu José Rosa.
Segundo a artista plástica Deia Leal o espectador vai precisar de sensibilidade e de olhar demorado, para tentar desvendar as manchas e intervenções propostas. “São obras inusitadas, que passeiam por paisagens devastadas e floridas de Minas Gerais, e finalmente, intervenções artísticas em peças de roupas representativas na vida de pessoas, realizadas com tinta e pincel”, relata a artista. A exposição permanece colorindo o hall do 2º andar da Prefeitura Municipal até o dia 01 de novembro.
ARTE ALDRAVISTA
Sinônimo de liberdade, a arte aldravista faz referência à superação de barreiras formais de produção e expressão, à possibilidade de ousar e de criar conceitos novos. Nascido em Mariana, há 15 anos, o aldravismo propõe interpretações inusitadas de eventos cotidianos. A aldrava, argola de ferro utilizada antigamente para bater nas portas, é o símbolo do movimento. Além da liberdade, o aldravismo tem outro pilar: a metonímia. Trazida da literatura para as artes plásticas, a figura de linguagem, que relaciona o todo e a parte, ganhou uma interpretação plástica e chegou às telas na forma de supressão de elementos. Não se pretende mostrar a totalidade, mas apresentar indícios.
FOTO: TAMARA MARTINS | PREFEITURA DE MARIANA
